O artigo Iconologia Crítica: a imagem na redefinição do método iconológico numa era pós-Panofsky publicado pela revista acadêmica Domínios da Imagem no ano de 2025 é resultado de uma extensa pesquisa iniciada no ano de 2022 quando adentrei como mestrando no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais do Centro de Artes, Design e Moda da Universidade do Estado de Santa Catarina na linha de Teoria e História das Artes Visuais.
Este foi o meu primeiro artigo escrito e a demora em submeter a uma revista para publicação se deu pelo motivo que o tema era extremamente novo para mim e precisava de mais leituras para amadurecê-lo, considerando que os teóricos e seus temas nele discutidos não faziam parte da base teórica que fundamentavam as pesquisas do programa, ao menos no que tangiam as epistemologias contemporâneas da imagem, os regimes de visualidade e o embate profícuo entre imagem e texto.
Assim, desafiei-me de forma autodidata, com muito rigor nesses três anos que se sucederam, não só para dirimir as incoerências conceituais, mas também para estabelecer o caminho que seguiria enquanto pesquisador que adota uma epistemologia transdisciplinar, no intercurso entre a Iconologia Crítica de W. J. T. Mitchell e a Atropologia da Imagem de Hans Belting, cuja imagem é tomada como fonte sui generis.
Abaixo, o resumo do artigo:
O acúmulo de críticas desde as décadas de 1960/70 ao estatuto da arte e ao uso das imagens no fazer historiográfico, empurrou os pesquisadores nas ciências humanas, sobretudo na história da arte, a constituírem um corpus transdisciplinar que respondesse à contemporaneidade dos modos de produção, relação e elucubração filosófica acerca do objeto. Decorre disso, o anúncio do fim da história da arte por Hans Belting e a definição de um quadro epistêmico, como apresenta Santiago Jr. (2019a, 2019b), formado por W. J. T. Mitchell e Gottfried Boehm com suas pictorial/iconic turns; e por Georges Didi-Huberman e sua antropologia visual. Comum a eles, o afastamento dos métodos tradicionais da história da arte, propondo caminhos heurísticos que insubordinam a imagem do texto, alavancando-a enquanto documento sui generis. Soma-se ao quadro Aby Warburg como aquele que em seu tempo oportunizou saídas historiográficas, e que, reavivado hoje numa era pós-Panofsky, tem sua obra como saída para os problemas historiográficos atuais. Dado o contexto, investiga-se a proposição da iconologia crítica de Mitchell, sobreposta pela antropologia da imagem de Belting em 2006, com a concepção de determinantes não icônicos enquanto modelo que tenta abarcar a demanda por uma historiografia da imagem na atualidade.
The accumulation of critiques since the 1960s and 1970s regarding the status of art and the use of images in historiographical work has pushed prompted researchers in the human sciences, especially in the history of art, to create a transdisciplinary corpus that responds to the contemporaneity of the modes of production, relationship relations and philosophical elucidation about the object. This led to the announcement of the end of the history of art by Hans Belting and the definition of an epistemic framework, as presented by Santiago Jr. (2019a, 2019b), formed by W. J. T. Mitchell and Gottfried Boehm with their pictorial/iconic turns; and by Georges Didi-Huberman and his visual anthropology. Common to them is the distancing from traditional methods of art history, proposing heuristic paths that insubordinate the image from the text, leveraging it as a sui generis document. Aby Warburg is added to the picture as someone who in his time, provided opportunities for historiographical solutions and who, revived today in a post-Panofsky era, has his work as a solution to current historiographical problems. Given the context, the proposal of Mitchell’s critical iconology is investigated, overlapped by Belting’s anthropology of the image in 2006, with the conception of non-iconic determinants as a model that attempts to encompass the demand for a historiography of the image today.
Leia em:
GEREMIAS, Rafael Costa. Iconologia crítica: a imagem na redefinição do método iconológico numa era pós-Panofsky. Domínios da Imagem, [S. l.], v. 19, p. 1–27, 2025. DOI: 10.5433/2237-9126.2025.v19.52852. Disponível em: https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/dominiosdaimagem/article/view/52852. Acesso em: 4 out. 2026.